o som da alma

1) O som é a presença integral e manifesta do sagrado.
2) Torne-se quem você nasceu para ser, torne-se músico.
3) A música abre o céu (Baudelaire).
4) Play is pray.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O CÉREBRO DO MÚSICO (Por Flávia Nogueira)
Introdução
A partir deste ano, todas as escolas de ensino básico, públicas e privadas, deverão oferecer aulas de música a seus alunos. O argumento que levou o governo a sancionar a Lei 2738/08 baseia-se na importância da música em promover o desenvolvimento cultural de seus alunos.
Assim como a Comissão de Educação, concordo com o potencial da música na promoção de cultura, porém, quais outros benefícios que o estudo formal de música pode acarretar na formação de uma criança? O treinamento musical pode gerar mudanças cerebrais tornando o indivíduo mais ‘inteligente’?
Inaugurando o primeiro artigo da série “Música na Cabeça”, abordarei um tema que tem sido objeto de muitas pesquisas e estudos científicos: “O cérebro do Músico”.
A “plasticidade cerebral”
Durante muitos anos pensou-se que a maturação cerebral se desenvolvia na infância, e não poderia ser modificada posteriormente. Hoje, a partir do avanço científico, sabe-se que o cérebro é capaz de se adaptar e até modificar-se, de acordo com as experiências vivenciadas ao longo de toda a vida, e não apenas na infância.
A música, e mais especificamente, o estudo musical, vem sendo tema de muitas pesquisas nas quais o principal objetivo é aprofundar a compreensão da neuroplasticidade. O termo plasticidade cerebral, ou Neuroplasticidade, referem-se às alterações que ocorrem na organização do cérebro como resultado da experiência.
Estudos comparativos entre músicos e não-músicos, vêm demonstrando as diferenças de organização e anatomia cerebral entre esses dois grupos.
Atualmente sabe-se que certas regiões cerebrais (corpo caloso, córtex motor e cerebelo) podem apresentar alterações funcionais e estruturais causadas pelos desafios e exigências requeridas pelo estudo musical.
Essas diferenças na anatomia cerebral de músicos são evidentes em exames de neuroimagem (ressonância magnética, tomografia computadorizada), porém, quais são as conseqüências (benéficas ou não) de tais diferenças no cotidiano dos músicos, foram pesquisadas através de uma série de estudos comparativos.
Efeitos práticos da neuroplasticidade entre músicos e não-músicos
Iremos analisar os efeitos práticos decorrentes das mudanças anatômicas das três estruturas cerebrais citadas acima.
Corpo caloso (fig. B)- Conjunto de fibras nervosas que conectam os dois hemisférios cerebrais (fig. A).O corpo caloso desenvolve um papel importante na integração funcional entre os dois hemisférios.
É consensual no meio científico, que o controle do movimento e a coordenação motora, assim como a transferência inter-manual de informação sensório-motora, aumentam gradualmente entre quatro e onze anos de idade, o que coincide com o período de maturação do corpo caloso.
Segundo os pesquisadores, a principal hipótese da mudança anatômica do corpo caloso é o treinamento musical precoce, especialmente de pianistas, que desenvolve na fase de maturação, habilidades bimanuais complexas, ou seja, a exigência do instrumento desenvolve a habilidade das duas mãos de tal maneira que altera a estrutura cerebral.
Pensa-se que a adaptação sofrida na estrutura cerebral, mostra-se benéfica em outras áreas que exigem habilidades motoras, não se restringindo às capacidades musicais.
Córtex motor – área responsável pela execução dos movimentos motores.
Os córtices motor direito e esquerdo apresentam assimetria, ou seja, indivíduos destros apresentam o córtex motor esquerdo maior que o córtex motor direito (nos canhotos isso se inverte). Porém, exames realizados com indivíduos músicos e não músicos demonstram que esse padrão de assimetria é reduzido nos músicos. Em testes manuais onde os indivíduos deveriam demonstrar agilidade e rapidez com ambas as mãos, o grupo de músicos realizou os testes de maneira mais ágil e satisfatória que o grupo de não-músicos.
O estudo também verificou uma correlação entre o tamanho do córtex motor de ambos os hemisférios e a idade de início dos estudos musicais. Quanto mais cedo o início dos estudos, maiores as dimensões do córtex motor direito e esquerdo.
Assim, esses indivíduos com maior córtex motor e menor assimetria inter-hemisférica poderiam se sobressair no desempenho de determinadas habilidades motoras e superar indivíduos que apresentam menor córtex motor, ou maior assimetria, ou ambos.
Cerebelo (Fig. B) – área responsável pela manutenção do equilíbrio e pelo controle do tônus muscular e dos movimentos voluntários, bem como pela aprendizagem motora. Dependemos do cerebelo para andar, correr, pular, andar de bicicleta, etc.
Os músicos apresentam aumento do volume cerebelar em torno de 5% sobre indivíduos não músicos. Estudos ainda estão em andamento a fim de verificar os benefícios trazidos por essa mudança anatômica, porém, sugere-se que os músicos desenvolvem maior habilidade de reflexos motores, maior agilidade e coordenação motora fina mais sofisticada que não músicos.
Outros efeitos testados em estudos comparativos demonstram habilidades elevadas:
Campo auditivo: músicos que iniciaram o estudo musical até os nove anos de idade apresentaram maior desempenho auditivo que não músicos e músicos “tardios”.
Capacidades cognitivas: muitas pesquisas têm relatado associações positivas entre estudo formal de música em crianças e capacidades pertencentes ao domínio não-musical, como linguagem, matemática e raciocínio visio-espacial, demonstrando que a habilidade cognitiva se estende para outras áreas além da musical. Embora os “efeitos” do estudo musical na fase infantil sejam mais evidentes, pesquisadores sugerem a possibilidade da persistência dos benefícios do treinamento musical, em domínios não-musicais, na fase adulta. Portanto, o estudo musical no adulto também pode trazer benefícios cognitivos em áreas não musicais.
Capacidade visual: Os músicos apresentam maior rapidez do movimento dos olhos, o que pode beneficiar seus reflexos em atividades cotidianas. Segundo os pesquisadores, a leitura complexa e rápida da partitura desenvolve uma agilidade especial em músicos formais.
Atenção: a complexidade de elementos que um músico precisa dispensar ao tocar uma música pode desenvolver uma capacidade atencional diferenciada. Para executar uma peça musical, um músico precisa atentar simultaneamente para muitos elementos: execução das notas corretas, métrica, dinâmica, movimentos motores finos, interpretação, performance no palco, integração com o grupo (se for o caso), e tantos outros elementos que exigem uma rápida resposta. Todo esse desafio acarreta num desempenho de atenção acima da média.
Enfim, poderíamos nos estender muito mais, afinal, o cérebro humano é tão formidável, que quando começamos a nos aprofundar um pouco sobre seu funcionamento nos deparamos com sua enorme complexidade.
Com esse artigo, procurei demonstrar um pouco o conteúdo de pesquisas recentes que comprovam que o estudo da música desde a infância pode sim trazer benefícios que se estendem para a vida adulta, e vão além do instrumento musical. Vimos que músicos respondem melhor tanto no campo motor como no campo cognitivo.
Assim, os benefícios da música vão além do desenvolvimento cultural, eles abrangem adaptações cerebrais únicas que beneficiam os indivíduos em muitos aspectos importantes da sua vida.
Então, que seja muito bem vinda a Lei 2738/08, que apesar das muitas falhas pode, pelo menos, despertar nas crianças o desejo de um estudo profundo dessa matéria tão fascinante que é a MÚSICA.

domingo, 1 de abril de 2012

Gaita Blues

Ensino as técnicas de blues rock como bends, wah wah ( de mão e de boca), double stop (2 notas tocadas ao mesmo tempo), acordes (3 notas tocadas ao mesmo tempo), vibrato (de mão e de garganta), slide, surdina, balanço de cabeça, etc.
Quanto ao repertório : wish you were here, summertime, Juke, blues shuffle na segunda posição, blues shuffle na primeira posição, roadhouse blues, Love me two times, the house of the rising sun, st james enfermary, love me do, etc.
Utilizo como apoio as três vídeo aulas de gaita blues disponíveis no mercado, revistas especializadas, apostilas importadas de gaita blues, entre outros materiais didáticos, o que gera uma visão ampla da gaita blues, riqueza de informação e plenitude metodológica.
Paralelamente, ensino leitura e escrita musical apliada à gaita blues, assim como harmonia e improvisação.
As aulas podem ser no Méier, Botafogo, Flamengo, Ilha do Governador e Barra.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

aulas de música no rio de janeiro

aulas de música no rio de janeiro, essencialmente sou músico e ensino para que cada um encontre o som de sua alma, sou músico e ensino porque acredito que a música abre o céu, como disse o poeta, a música é a presença integral e manifesta do sagrado, play is pray, e acredito que a música pode manifestar nessa terra a sagrada beleza sublime que lava nossas almas e nos arrebata para o sagrado.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

aula de guitarra

Aulas, shows e gravações. Encontre o som de sua alma, torne-se músico.
guilherme.lessa@yahoo.com.br
tel 86344467

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

jam sessiom

mpb na gaita diatônica e o velho blues.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Baixio das Almas

Baixio das Almas é o meu projeto com o baixo elétrico. Toco e ensino técnicas como slap, tapping, acordes etc. As aulas incluem também leitura e escrita musical, harmonia e improvisação, e um repertório universal que inclui jazz, rock n roll, blues, mpb, música brasileira etc.
Tenho vários métodos de baixo para auxiliar nas aulas, e o aluno pode tocar em três baixos diferentes, um de cinco cordas, um baixolão e um fretless.
Também faço gravações e shows e uma demo que fiz está disponível em www.myspace.com/baixaria
Baixio das Almas é um projeto com o baixo elétrico para manifestar a sagrada beleza sublime através da música, para ajudar aqueles que desejem encontrar o som de suas almas, porque os sons graves do baixo são belos e profundos como o Deus do fundo do mar...

domingo, 30 de outubro de 2011

James Cotton - Slow Blues



Blues de preto velho, o som da alma, o lamento e a dor misticamente transfigurados em arte e beleza sublime que eleva aos céus. Um dos guardiões da sagrada chama do velho blues, Saravá James Cotton!

the good old blues

um dos guardiões da sagrada chama do velho blues, devidamente empunhando um microfone bullet, também canta na melhor linhagem do gênero, salve Charlie Musselwhite!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Aulas de Gaita

Aula de gaita, diatônica e cromática, escaleta também. Todos os níveis.
As aulas incluem as técnicas dos instrumentos, harmonia e improvisação, leitura e escrita musical e um repertório que inclui blues, mpb, samba, bossa etc.
guilherme.lessa@yahoo.com.br
tel : 86344467

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

aulas de guitarra no rj

A guitarra semi acústica tem uma longa tradição no jazz mas também no blues e no rock n roll, e desde a década de 50 vem sendo usada por músicos como Chuck Berry, Elvis, Bill Halley, passando pelos Beatles, sem esquecer Alex Lifeson (Rush) e John Frusciante (Red Hot). No blues os mais conhecidos que usam este modelo de guitarra são B.B. King e Freddy King, entre outros. Pra samba e mpb ela também soa divinamente. Esta guita aí da foto tem a cor próxima ao roxo violáceo do manto do Cristo ressucitado, e seu dever prescrito é ser um instrumento de manifestação da sagrada beleza sublime que arrebata aos céus.
Ensino técnicas de guitarra como tapping, chord melody, sweep, etc, além de harmonia e improvisação, leitura e escrita musical (partitura e tablatura) e ensino um repertório musical eclético que inclui rock n roll, jazz, blues, samba, mpb etc.
Inf. : guilherme.lessa@yahoo.com.br
Méier, Ilha, Flamengo, Botafogo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

o som da alma

Encontre e manifeste o som da sua alma, torne-se músico...
Aulas particulares e workshop sobre a música e o sagrado, com apostila e recital.
Veja http://www.allegaia.blogspot.com/
info : guilherme.lessa@yahoo.com.br

aulas shows e gravações

Aulas de violão, guitarra, baixo, cavaco, bandolim, gaita, viola caipira, musicalização infantil e percussão, no Méier, Flamengo, Botafogo e Ilha do Governador.
Técnica dos instrumentos, leitura  e escrita musical, harmonia e improvisação, produção musical de cd demo.
Ouça www.myspace.com/encruza e www.myspace.com/baixaria
info : guilherme.lessa@yahoo.com.br

sábado, 30 de julho de 2011

Zakk Wilde



Somzeira da pesada, três solos inspirados, na medida, com muito feeling, pegada, capricho no timbre. Não dá vontade de escrever nada porque esta performance fala muito por si mesma.

sábado, 28 de maio de 2011

(...) de la mística española

Livro de muita instrução que tenho em mãos, literal e prazerosamente, desde que o tive em mãos de uma estante de biblioteca, inquieta-me o prazer de um texto direto, de precisão e arrebatamento : " España es un país meridional, abierto al sol y a la luz. No en vano, em el corazón de España, que es Castilla, surge nuestra mejor mística, cristalizada en santa Teresa de Jesús, en san Juan de la Cruz o en fray Luis de León". Espanha de mouros, judeus e cristãos, Espanha flamenca. Espanha del éxtasis (del griego ékstasis), del arrobamiento. Eis um ideal de verso : precisão e arrebatamento, santidade extática.
Livro de muita instrução : "Llamamos intuición a los procesos mentales no conscientes a través de los cuales se obtiene un conocimiento acerca de la realidad". Livro de muita instrução : "La intuición y el éxtasis tienen el mismo mecanismo psíquico". (continua).

Kaligrafias

Tradução e/ou transcriação : música, teatro, poesia, monografias, sites e blogs.
Português - inglês, português - francês, português - espanhol, inglês - português, francês - português, espanhol - português.
Aulas particulares de inglês, francês e espanhol para principiantes, no Méier, Rio de Janeiro.
Aulas de Português para estrangeiros. Portuguese fast class for turists.
"A língua é para entender o outro".
Inf: guilherme.lessa@yahoo.com.br
tel : 55 21 86344467
Compositor, letrista, poeta, autodidata nas três línguas. Nas aulas de inglês usamos a música para auxiliar na didática, praticamos a pronúncia com as canções, proponho uma tradução para a letra, onde estudamos o vocabulário, e a mesma letra também é usada para estudar a gramática.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O som do vinil - Clube da esquina 2 parte 1

Pat Metheny & Toninho Horta!! - At Pat Metheny's apartment in Rio de Jan...



Em determinado momento Pat Metheny declara que Toniho Horta é seu compositor favorito, seu guitarrista favorito e seu amigo. Somzeira essa do Toninho!

sábado, 4 de dezembro de 2010

PAT METHENY & MIKE GOODRICK - ( MEDITATION )


Mike Goodrick além de excelente guitarrista é um grande didata do instrumento, seu livro Advancing Guitarrist é um clássico, usado tb por baixistas e outros instrumentistas.
Aqui temos um exemplo da excelência da música do Tom Jobim.

Yuri Popoff


Viva o Clube da Esquina !

David Minnieweather ~ luthier and bassist (8 String Bass)


Para divulgar a somzeira do baixo de oito cordas, quatro cordas duplas. Aqui no Brasil é usado pelo grande Yuri Popoff.

Yves Carbonne Live at Noe Valley Ministry -1 of 1


Yves Carbonne tocando seu baixo de possivelmente 11 cordas. Visitem www.yvescarbonne.com
Ele criou um instrumento com a afinação uma oitava abaixo do contrabaixo, chamando-o de sub bass. Somzeira, uma ode ao infinito do possível.

Grzegorz Kosiński - Frosty Acres (Jean Baudin cover)


Baixo de sete cordas, técnica de two hands, tocando uma música de Jean Baudin. Visitem www.myspace.com/bassgk

Carinhoso


O contrabaixo contemporâneo é um instrumento completo, solista, harmonizador, versátil, podendo tocar qualquer gênero musical, tecnicamente em evolução, com as possibilidades do tapping, do slap, two hands, double thumb, entre outras técnicas. O próprio instrumento vem evoluindo em sua concepção : temos o baixo de quatro, cinco e seis cordas, o baixolão, o fretless, e ainda numa concepção de vanguarda os baixos de sete, oito, nove, dez, onze e doze cordas. Sem esquecer do primogênito da orquestra. Nesta versão de carinhoso temos o Zéli chorando baixo.

Diego Figueiredo - Stella by Starlight


Na minha apreciação, é um dos mais competentes, técnica absurda, um fraseado original, harmonia arrojada, está na linhagem dos grandes violonistas brasileiros e dos grandes improvisadores do planeta.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

rosário lírico de maria


Dedicado à Mãe Divina em quaisquer de seus nomes.
Aulas, shows, gravações e produção musical no Rio de Janeiro.

Hermeto Music is my Religion


Mestre Hermeto Pascoal. O que ele fala está de acordo com a milenar escritura hindu Bhagavad - gita.

meu bem querer

Choro negro

Gaitaria


Pétala do Djavan, Luiz Fernando Mazzei no violão, Guilherme Lessa Gonçalves na gaita, que está um pouco desfinada, essa é uma desvantagem de ser multi instrumentista, às vezes fica caro a manutenção de vários instrumentos. Mas os desafinados também tem um coração.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nature Boy and others


Meu ofício de arranjador e tecladista, atualmente tenho um piano digital p88 da yamaha, e estou muito feliz pelo seu som de piano acústico, com seus outros timbres, design belíssimo, dá vontade de ficar olhando pra ele. Visitem www.myspace.com/orfeudesantacecilia

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

As Eternas Rainhas da Bateria


Um samba autoral, da época que eu era ritmista da bateria da GRES Unidos de Vila Isabel. Lá aprendi a tocar vários instrumentos de percussão de escola de samba, e foi mais uma etapa da grande escola da vida.

Olinda Negra

Padim Ciço

Rosário Lírico de Maria

Mestre Hermeto

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

a noite é nua


Música autoral, devocional, guilherme lessa gonçalves compositor e guitarrista

a sagrada beleza sublime

John Petrucci e Teresa, intro de through her eyes, do dream theater.

vídeo aula de técnica : trinado, bends + tapping e bends + harmônicos

vídeo aula de pedais parte 3


Ótimas aulas para quem está iniciando no mundo dos pedais, para ter uma noção básica do som de cada efeito.

vídeo aula de pedais parte 2

vídeo aula de pedais

domingo, 10 de outubro de 2010

palhaçada


O teatro estava pegando fogo, o palhaço foi encarregado de avisar a platéia, todos acharam graça, morreram de rir, foi uma grande tragédia.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

timbres

video
Timbres com alguns pedais, rock n roll, aulas, shows e gravinas no Rio de Janeiro, visitem tb www.youtube.com/encruzilheira

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

guitarra eclética


Rock n roll em todas as suas denominações, samba e choro (isso mesmo, samba e choro na guitarra acústica, COM e sem pedais), mpb, bossa, samba jazz, jazz do Real Book, erudito (isso mesmo, música erudita na guitarra acústica : Villa Lobos, Bach, etc).
aulas, shows e gravações, paz profunda.

home office sweet home office


Aulas de música no Méier, Ilha do Governador e Botafogo.
guilherme.lessa@yahoo.com.br

sábado, 25 de setembro de 2010

biblioteca


Livros de referência para aulas e estudos : Ian Guets e Tomás Improta; Minha primeira conclusão é que a Harmonia é infinita, e se o violão é uma pequena orquestra, a guitarra é uma big band...

biblioteca


Ótima fonte de estudo e pesquisa, os livros de chediak estabeleceram um marco de referência para as cifras e partituras da mpb, seus songbooks são os nossos realbooks...

set up


good friends/God friends

pedais


Litlle Toys

guita

Guita

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Repertório Mpb PoP Rock

1)codinome beija flor
2)faz parte do meu show
3)por que a gente é assim (barão)
4)por enquanto
5)vento no litoral
6)pais e filhos
7)Bem que se quis
8)primeiros erros
9)me chama
10)rádio blá
11)dias de luta (ira)
12)até quando esperar (plebe rude)
13)camila (nenhum de nós)
14)paixão (cleiton e cledir)
15)vento solar (venturini)
16)a francesa (marina)
17)fullgás (marina)
18)vem chegando o verão (marina)
19)cara valente
20)bandolins (oswaldo montenegro)
21)meu erro
22)lanterna dos afogados
23)por quase um segundo
24)refrão de bolero (engenheiros do hawaí)
25)folhetim (chico buarque)
26)trocando em miúdos (chico buarque)
27)valsinha (chico buarque)
28)a rita (chico buarque)
29)não quero dinheiro
30)você
31)azul da cor do mar
32)vapor barato
33)pétala
34)meu bem querer
35)oceano
36)samurai
37)flor de lis
38)se eu quiser falar com deus (gilberto gil)
39)romaria
40)rosa morena (dorival caymi)
41)maracangalha (dorival caymi)
42)O tempo não para (cazuza)
43)devolva-me (adriana calcanhoto)
44)ovelha negra (rita lee)
45)mania de vc (rita lee)
46)olhos coloridos (sandra de sá)

Set Up de Baixo

Trabalho com aulas, shows e gravações usando três instrumentos : um baixo elétrico 5 cordas, um baixolão tb de 5 cordas e um fretless de 4 cordas, um ampli de 40w para aulas, estudos e shows de pequeno porte, e um carro velho para carregar tudo isso.

Repertório Rock ´n Roll

1)Europa (Santana)
2)Bad love (Eric Clapton)
3)Cocaine (Eric Clapton)
4)Sunshine of your love (Cream)
5)Day Tripper (Beatles)
6)Mob Dick (Led Zeppelin)
7)Rock ´roll (Led Zeppelin)
8)Paranoid (Black Sabbath)
9)War Pigs (Black Sabbath)
10)Born to be wild (Stephen Wolf)
11)All Along the Watchtower (Hendrix)
12)Purple Haze (Hendrix)
13)Red House (Hendrix)
14)Hey Joe (Hendrix)
15)Voodoo Child (Hendrix)
16)Smoke on the water (Deep Purple)
17)Come Together (Beatles)
18)Sweet child o mine (Guns and Roses)
19)Toxi city (System of a down)
20)Creep (Radiohead)
21)More than words (Extreme)
22)Show must go on (Queen)
23)Love of my life (Queen)
24)Still loving you (Scorpions)
25)Owner of a lonely heart (yes)
26)Every rose has its thorn (Poison)
27)Have you ever see the rain (creedence clearwater revival)
28)suzie Q (creedence clearwater revival)
29)Beat it (Michael jackson)
30)Billie Jean (Michael Jackson)
31)Satisfaction (Rolling Stones)
32)Angie (Rolling Stones)
33)Jump jack flash (Rolling Stones)
34)Pride and Joy (Steve Ray Vaughan)
35)Money (Pink Floyd)

domingo, 29 de agosto de 2010

violão universal



Jazz brasileiro tocado com maestria, o tempo confirma a consagração de Tom Jobim, o violão brasileiro é universal, versátil, plural e infinito...

slow blues



Conhecimento do fraseado do blues, timbragem anasalada, sem distorção, john mayer e matt schofield são os guardiões da chama sagrada do velho blues....

slow blues



Na linhagem do hendrix e do steve ray vaughan, o som da stratocaster, o velho blues bonito de doer, sucessão discipular sem interrupção...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A sagrada beleza sublime

Acrobata da Dor
Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta ...

Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.

Cruz e Sousa

quinta-feira, 29 de julho de 2010

arlequim de cezanne

arlequim de picasso

a sagrada beleza sublime

Menotti Del Picchia

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Máscaras


PERSONAGENS:
Arlequim : Um desejo
Pierrot : Um Sonho
Colombina: A Mulher

Em qualquer terra em que os homens amem.
Em qualquer tempo onde os homens sonhem.
Na vida.

BEIJO DE ARLEQUIM

I

O crescente cintila como uma cimitarra. Lírios longos, grandes mãos
brancas estendidas para o luar, bracejam nas pontas das hastes. Uma
balaustrada. Uma bandurra. Um Arlequim. Um Pierrot E, sobre as
máscaras e os lírios, a volúpia da noite, cheia de arrepios e de aromas.


ARLEQUIM diz:

Foi assim: deslumbrava a fidalga beleza da turba nos salões da Senhora Duquesa.
Um cravo, em tom menor, numa voz quase humana, tecia o madrigal de uma antiga pavana. Eu descera ao jardim. Cheirava a heliotrópio e vi, como quem vê num vago sonho de ópio, uma loura mulher...

PIERROT

Loura?

ARLEQUIM
Como as espigas...
Como os raios de sol e as moedas antigas...Notei-lhe, sob o luar, a cabeleira crespa,
anca em forma de lira e a cintura de vespa, um cravo no listão que o seio lhe bifurca,
pezinhos de mousmé, olhos grandes, de turca... A boca, onde o sorriso era como uma abelha, recendia tal qual uma rosa vermelha.

PIERROT

Falaste-lhe?

ARLEQUIM

Falei...

PIERROT

E a voz?

ARLEQUIM

Vaga e fugace.
Tinha a voz de uma flor, se acaso a flor falasse...

PIERROT

E depois?

ARLEQUIM

Eu fiquei, sob a noite estrelada, decidido a ousar tudo e não ousando nada...
Vinha dela, pelo ar, espiritualizado numa onda volúpia, um cheiro de pecado...
Tinha a fascinação satânica, envolvente, que tem por um batráquio o olhar duma serpente... e fiquei, mudo e só, deslumbrado e tristonho, sentindo que era real o que eu julgava um sonho! Em redor o jardim recendia.
Umas poucas
tulipas cor de sangue, abertas como bocas, pela voz do perfume insinuavam perfídias...

Tremia de pudor a carne das orquídeas... Os lírios senhoreais, esbeltos como galgos,
abriram para o céu cinco dedos fidalgos fugindo à mão floral do cálix longo e fino.
Um repuxo cantava assim como um violino e, orquestrando pelo ar as harmonias rotas, desmanchava-se em sons, ao desfazer-se em gotas! Entre a noite e a mulher, eu trêmulo hesitava: se a noite seduzia, a mulher deslumbrava!
Dei uns passos
Ao ruído agitou-se assustada. Viu-me...

PIERROT

E ela que fez?

ARLEQUIM

Deu uma gargalhada.

PIERROT

Por que?

ARLEQUIM

Sei lá! Mulher...Talvez porque ela achasse ridículo Arlequim com ar de Lovelace...
Aconcheguei-me mais: “Deus a guarde, Senhora!”
- Obrigada. Quem és?
- “Um arlequim que a adora!”

Vinha do seio dela, entre a renda e a miçanga, um cheiro de mulher e um cheiro de cananga. Eram os olhos seus, sob a fronte alva e breve, como dois astros de ouro a arder num céu de neve. Mordia, por não rir, o lábio úmido e langue, vermelho como um corte inda vertendo sangue...E falei-lhe de amor...

PIERROT

E ela?

ARLEQUIM

Ficou calada...
Meu amor disse tudo, ela não disse nada, mas ouviu , com prazer, a frase que renova
no amor que é sempre velho, a emoção sempre nova!

PIERROT

Que lhe disseste enfim?

ARLEQUIM

O ardor do meu desejo,
a glória de arrancar dos seus lábios um beijo, a volúpia infernal dos seus olhos
devassos, o prazer de a estreitar , nervoso, nos meus braços, de sentir a lascívia heril dos seus meneios, esmagar no meu peito a carne dos seus seios!

PIERROT, assustado:

Tu ousaste demais...

ARLEQUIM, cínico:

Ingênuo! A mulher bela
adora quem lhe diz tudo o que é lindo nela. Ousa tudo, porque todo o homem enamorado se arrepende, afinal, de não ter tudo ousado.

PIERROT

E ela?

ARLEQUIM

Vinha pelo ar, dos zéfiros no adejo, um perfume de amor lascivo como um beijo, como se o mundo em flor vibrasse, quente e vivo, no erotismo triunfal de um amor coletivo!


PIERROT, fremindo:

E ela?

ARLEQUIM

Ansiando, ouviu toda essa paixão louca, levantou-se...

PIERROT

Depois?

ARLEQUIM , triunfante:

Deu-me um beijo na boca!

Um silêncio cheio de frêmito. Os lírios tremem. Pierrot
olha o crescente. Arlequim dá um passo, vê a brandura,
toma-a entre as mãos nervosas e magras e tange, distraído,
as cordas que gemem.

ARLEQUIM

Linda viola.

PIERROT, alheado:

Bom som...

ARLEQUIM

Que musicais surpresas não encerra a mudez
destas cordas retesas...

Confidencial a Pierrot:

Olha: penso, Pierrot, que não existe em suma, entre a viola e a mulher, diferença nenhuma. Questão de dedilhar, com certa audácia e calma, numa...estas cordas de aço, e na outra...as cordas d’alma!

Suavemente, exaltando-se:

O beijo da mulher! Ó sinfonia louca da sonata que o amor improvisa na boca... No contado do lábio, onde a emoção acorda, sentir outro vibrar, como vibra uma corda... À vaga orquestração da frase que sussurra ver um corpo fremir tal qual uma bandurra...Desfalecer ouvindo a música que canta no gemido de amor que morre na garganta...Colar o lábio ardente à flor de um seio lindo, ir aos poucos subindo...ir aos poucos subindo...até alcançar a boca e escutar, num arquejo, o universo parar na síncope de um beijo!

.........................................................................................................................................

Eis toda a arte de amar! Eis, Pierrot fantasista, a suprema criação da minha alma de artista. Compreendes?

PIERROT, ansiado:

E a mulher?

ARLEQUIM, lugubremente:

A mulher? É verdade...
Levou naquele beijo a minha mocidade.

PIERROT

E agora? Onde ela está?

ARLEQUIM, ironicamente místico:

No meu lábio, no ardor desse beijo, que é todo um romance de amor!

Seduzido pela angústia da saudade:

No temor de pedi-lo e na glória de tê-lo...
No gozo de prová-lo e na dor de perdê-lo...
No contato desfeito e no rumor já mudo...
No prazer que passou...Nesse nada que é tudo:
O passado!... a lembrança... a saudade... o desejo...

Balbuciando:

Um jardim... Um repuxo...Uma mulher... Um beijo....


(Longo silêncio cheio de evocação e de cismas).

PIERROT, ingenuamente:

É audaciosa demais a tua história...






ARLEQUIM, ríspido:

Enfim,
um Arlequim, Pierrot, é sempre um Arlequim. Toda história de amor só presta se tiver, como ponto final, um beijo de mulher!


O SONHO DE PIERROT


II


PIERROT

Eu também, Arlequim, nesta vida ilusória, como todos Pierrots, eu tenho uma história, vaga, talvez banal, mas triste como um cântico...

ARLEQUIM, sarcástico:

Não compreendo um Pierrot que não seja romântico, branco como o marfim, magro como um caniço, enchendo o mundo de ais, sem nunca passar disso.

PIERROT

Debochado Arlequim!
ARLEQUIM

Branco Pierrot tristonho...


PIERROT

Teu amor é lascívia!

ARLEQUIM

E o teu amor é sonho...

PIERROT

É tão doce sonhar!... A vida , nesta terra, vale apenas, talvez, pelo sonho que encerra. Ver vaga e espiritual, das cismas nos refolhos, toda uma vida arder na tristeza de uns olhos; não tocar a que se ama e deixar intangida aquela que resume a nossa própria vida, eis o amor, Arlequim. , misticismo tristonho, que transforma a mulher na incerteza de um sonho....


ARLEQUIM, escarninho:

Esse amor tão sutil que teus nervos reclama só se aplica aos Pierrots?

PIERROT

Não! A todos os que amam!
Aos que têm esse dom de encontrar a delícia na intenção da carícia e nunca na carícia...Aos que sabem, como eu, ver que no céu reflete a curva do crescente, um vulto de Pierrette...

ARLEQUIM, zombeteiro:

Eterno sonhador! Tu crês que vive a esmo tudo aquilo que sai de dentro de ti mesmo. Vês, se fitas o céus, garota e seminua, Colombina sentada entre os cornos da lua...Quanta vezes não viste o seu olhar abstrato nos fosfóreos vitrais das pupilas de um gato?

PIERROT

Essas frases cruéis, que mordem como dentes, só mostram, Arlequim, que somos diferentes. Mas minha alma, afinal, é compassiva e boa: não compreendes Pierrot. E Pierrot te perdoa...

ARLEQUIM

Tua história, vai lá! Senta-te nesse banco. Conta-me: “Era uma vez um Pierrot muito branco...”
A história de um Pierrot sempre nisso consiste... Começa.

PIERROT narrando:

“Era uma vez... um Pierrot... muito triste... “

Uma voz, na distância, corta, argentina, a narração de Pierrot.

A VOZ

Foi um moço audaz, que vejo
no meu sonho claro e doce,
O amor que primeiro amei..
Abraçou-me: deu-me um beijo
e, depois, lento, afastou-se,
e nunca mais o encontrei.



Num ser pálido e doente
resume-se o que consiste
o segundo amor que amei.
Ele olhou-me tristemente...
Eu olhei-o muito triste...
E nunca mais o encontrei!

Esse amor deu-me o desejo
daquele beijo encontrar.
Mas nunca, reunidas, vejo,
a volúpia desse beijo,
e a tristeza desse olhar...

A voz agoniza nos ecos. Pierrot e Arlequim tendem o ouvido procurando no ar mais uma estrofe.

ARLEQUIM

Essa voz...

PIERROT

Essa voz...

ARLEQUIM

Só de ouvi-la estremeço...

PIERROT

Eu conheço essa voz!

ARLEQUIM

Essa voz eu conheço...

Um sopro de brisa arrepia as plantas.

PIERROT
Escuta...

ARLEQUIM

Escuta...


PIERROT
Ouviste?

ARLEQUIM
Um sussurro...

PIERROT

Um lamento...

ARLEQUIM

Foi o vento talvez.

PIERROT

Sim. Talvez fosse o vento.

ARLEQUIM

Conta a história, Pierrot.

Pierrot continuando:

Numa noite divina
como tu, num jardim, encontrei Colombina. Loira como um trigal e branca como a lua.

ARLEQUIM

Era loira também?

PIERROT

Tão loira como a tua...
Eu descera ao jardim quebrado de fadiga. Dançavam no salão...

ARLEQUIM, interrompendo:

... uma pavana antiga,
e notaste ao luar a cabeleira crespa...

PIERROT

... a anca em forma de lira...




ARLEQUIM

... e a cintura de vespa!

PIERROT

Mãos mimosas, liriais...

ARLEQUIM

Em minúcias te expandes!

PIERROT

Um pé muito pequeno...

ARLEQUIM

Uns olhos muito grandes!
Uma mulher igual à que encontrei na vida?

PIERROT, ofendido:

Enganas-te, Arlequim, nem mesmo parecida!
Era tal a expressão do seu olhar profundo,
que não pode existir outro igual neste mundo!
Felinamente ardia a íris verdoenga e dúbia,
como o sinistro olhar de uma pantera núbia.

Esses olhos fatais lembravam traiçoeiras
feras, armando ardis nos fojos das olheiras!
Tão vivos que, Arlequim, desvairado, os supus
duas bocas de treva e erguer brados de luz!
Tripudiavam o bem e o mal nos seus refolhos.

ARLECRIM, cismando:

Essas coisas também ardiam nos seus olhos...

PIERROT

Tive medo, Arlequim! Vendo-os, num paroxismo
eu tinha a sensação de estar sobre um abismo.
Não sei porque o olhar dessa estranha criatura
era cheio de horror...e cheio de doçura!
Eu desejava arder nessas chamas inquietas...


ARLEQUIM

Tendo o fim dos Pierrots?

PIERROT

Tendo o fim dos Poetas!
Aconcheguei-me dela, a alma vibrante louca, o coração batendo...

ARLEQUIM

E beijaste-lhe a boca.

PIERROT, cismarento:

Não...Para que beijar? Para que ver, tristonho, no tédio do meu lábio o vácuo do meu sonho... Beijo dado, Arlequim, tem amargos ressábios...
Sempre o beijo melhor é o que fica nos lábios,
esse beijo que morre assim como um gemido,
sem ter a sensação brutal de ser colhido...

ARLEQUIM

E que disse a mulher?

PIERROT

Suspirou de desejo...

ARLEQUIM , mordaz:

Preferia, bem vês, que lhe desses um beijo!

PIERROT

Não. Ela olhou-me. Olhei... E vi que, comovida, sentiu que , nesse olhar, eu punha a minha vida...

Um silêncio cheio de angústias vagas.
Sob o luar claro as almas brancas dos
Lírios evocam fantasmas de emoções
mortas. Os espectros das memórias
parecem recolher, como numa urna invi-
sível, a saudade romântica de Pierrot...




ARLEQUIM, tristonho:
Essa história, Pierrot, é um pouco merencória...

PIERROT

A história desse olhar é toda a minha história.

ARLEQUIM
E não a viste mais?

PIERROT

Nem sei mesmo se existe...

ARLEQUIM, contendo o riso:

É de fazer chorar! Tudo isso é muito triste!

Tomando-o pelo braço, confidencialmente:

Entretanto, ouve aqui, à guisa de consolo:
diante dessa mulher...foste um Pierrot bem tolo!
Aprende, sonhador! Quando surgir o ensejo,
entre um beijo e um olhar, prefere sempre um beijo!

PIERROT, desconsolado:

Lamentas-me Arlequim?
ARLEQUIM

Tu não compreendeste: choro não ter colhido o beijo que perdeste.


O AMOR DE COLOMBINA


II

Uma voz que canta se aproxima.

A VOZ

Esse olhar deu-me o desejo
daquele beijo encontrar,
mas nunca , reunidas, vejo
a volúpia desse beijo
e a tristeza desse olhar!

PIERROT , extasiado:

Escutaste, Arlequim, que cantiga tão bela?

ARLEQUIM

Era dela esta voz?

PIERROT

Esta voz era dela...

Arlequim está imerso na sombra e um raio de luar ilumina
Pierrot. Entra Colombina trazendo uma braçada de flores.

COLOMBINA, vendo Pierrot:

Tu? Que fazes aqui?

PIERROT
Espero-te, divina...A sorte de um Pierrot é esperar Colombina!

COLOMBINA

Pela terra florida, olhos cheios de pranto, eu procurei-te muito...

PIERROT

E eu esperei-te tanto!

COLOMBINA

Onde estavas, Pierrot? Entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, dizia a cada flor: “Mimosa flor, não viste um Pierrot muito branco...”

PIERROT

Um Pierrot muito triste...

COLOMBINA

E respondia a flor: “Sei lá... Nestas campinas passam tantos Pierrots atrás de Colombinas...” E eu seguia e indagava: “Ó regato risonho: não viste, por acaso, o Pierrot do meu sonho? “ E o regato correndo e cantando, dizia: “Coro e canto e não vejo” - e cantava e corria... Nos céus, ergendo o olhar, eu via, esguio e doente, o pálido Pierrot recurvo do crescente...
Assim te procurei, entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, só porque, meu amor, uma noite, num banco, eu encontrara olhar de um triste Pierrot branco.

PIERROT

Não! Não era um olhar! Ardia nessa chama
toda a angústia interior do meu peito que te ama
Nosso corpo é tal qual uma torre fechada
onde sonha , em seu bojo, uma alma encarcerada.
Mas se o corpo é essa torre em carne e sangue erguida,
O olhar é uma janela aberta para a vida,
e, na noite de cisma, enevoada e calma,
na janela do olhar se debruça nossa alma


COLOMBINA, languidamente abraçada a Pierrot:

Olha-me assim, Pierrot... Nada mais belo existe
que um Pierrot muito branco e um olhar muito triste...
Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso.
Minh’alma é uma criança, e teus olhos um berço
com cadências de vaga e, à luz do teu olhar,
tenho ânsias de dormir, para poder sonhar!
Olha-me assim, Pierrot... Os teus olhos dardejam!
São dois lábios de luz que as pupilas me beijam...
São dois lagos azuis à luz clara do luar...
São dois raios de sol prestes a agonizar...
Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade
de poluir com esse olhar a minha mocidade
aberta para ti como uma grande flor,
meu amor...meu amor...meu amor...

PIERROT

Meu amor!

Colombina e Pierrot abraçam-se ternamente. Há, como
um cicio de beijos, entre os canteiros dos lírios. Arlequim,
vendo-os, sai da treva e, com voz firme, chama.

ARLEQUIM

Colombina!
COLOMBINA, voltando-se assustada:

Quem é?


ARLEQUIM

Sou alguém, cuja sina foi amar, com Pierrot, a mesma
Colombina. Alguém que, num jardim, teve o sublime ensejo de beijar-te e jamais se esquecer desse beijo!

COLOMBINA, desprendendo-se de Pierrot:

Tu, querido Arlequim!

ARLEQUIM, galanteador:

Arlequim que te adora...Que te buscava há tanto e que te encontra agora.

COLOMBINA

E procurei-te em vão, mas te esperava ainda.

ARLEQUIM a Pierrot:

Ela está mais mulher...

PIERROT num êxtase:

Ai! Ela está mais linda!

ARLEQUIM, enfatuado, a Colombina:

És linda, meu amor! Nessa formas perpassa
na cadência do Ritmo, a leveza da Graça.
Teus braços musicais, curvos como perfídia,
têm a graça sensual de uma estátua de Fídias.
Não sendo inda mulher, nem sendo mais criança,
encarnas, grande viva, a Flor de Liz de França...
Sobe da anca uma curva ondulante que chega
a teu corpo plasmar como uma ânfora grega
e é teu vulto triunfal, longo, heráldico, esgalgo,
coleante como um cisne e esbelto como um galgo!

COLOMBINA, fascinada:
Lindo!

ARLEQUIM

E não disse tudo... E não disse do riso
boêmio como ébrio e claro como um guizo.
E ainda não falei dessa voz de sereia
que, quando chora, canta, e quando ri, gorjeia...

Não falei desse olhar cheio de magnetismo,
que fulge como um astro e atrai como um abismo,
e do beijo, que como uma carícia louca...
inda canta em meu lábio e inda sinto na boca!

COLOMBINA com um voz sombria de volúpia:

Fala mais, Arlequim! Tua voz quente e langue
tem lascivo sabor de pecado e de sangue.
O venenoso amor que tua boca expele,
põe-me gritos na carne e arrepios na pele!
Fala mais, Arlequim! Quando te escuto, sinto
O desejo explodir das potências do instinto,
O brado da volúpia insopitada, a fúria,
do prazer latejando em uivos de luxúria!
Fala mais, Arlequim! Diz o ardor que enlouquece
a amada que se toca e aos poucos desfalece,
e que, cega de amor, lábio exangue, olhar pasmo,
agoniza num beijo e morre num espasmo.
Fala mais, Arlequim! Do monstruoso transporte
que, resumindo a vida, anseia pela morte,
dessa angústia fatal, que é o supremo prazer
da glória de se amar, para depois morrer!

PIERROT, num soluço:

Ai de mim!...

COLOMBINA, como desperta:

Tu Pierrot!

PIERROT, num fio de voz:

Ai de mim que, tristonho, trazia
à tua vida a oferta do meu sonho...Pouca coisa, porém... Uma alma ardente e inquieta arrastando na terra um coração de poeta.
Na velha Ásia, a Jesus, em Belém, um Rei Mago, não tendo outro partiu através de
Cartago, atravessando a Síria, o Mar Morto infinito, a ruiva e adusta Líbia, o mudo e fulvo Egito, as várzeas de Gisej, o Hebron fragoso e imenso, só para lhe ofertar uns grânulos de incenso... Também vim, sonhador, pela vida, tristonho, trazer-te o meu amor no incenso do meu sonho.

COLOMBINA com ternura:

Como te amo, Pierrot...


ARLEQUIM

E a mim, cujo desejo te abriu o coração com a chave do meu beijo? A tua alma era como a Bela Adormecida: o meu beijo a acordou para a glória da vida!

CALOMBINA fascinada:

Como te amo, Arlequim!...

PIERROT

desvairado pelo ciúme, apertando-lhe os pulsos,
numa voz estrangulada:

A incerteza que esvoaça desgraça muito mais do que a própria desgraça. Escolhe entre nós dois... Bendiremos os fados sabendo o que é feliz, entre dois desgraçados!

ARLEQUIM

Dize: Queres-me bem?

PIERROT:

Fala: gostas de mim?

COLOMBINA, hesitante:

A Pierrot:

Eu amo-te , Pierrot...

A Arlequim:

... Desejo-te, Arlequim...

ARLEQUIM, soturnamente:

A vida é singular! Bem ridícula, em suma... Uma só, ama dois... e dois amam só uma!..

COLOMBINA , sorrindo e tomando ambos pela mão:

Não! Não me compreendeis... Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor de todos dois... Hesitante, entre vós, o coração balanço:


A Arlequim:

O teu beijo é tão quente...

A Pierrot:

O teu sonho é tão manso...

Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh’alma! Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho, pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra: um me fala do céu... outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar, e em verdade toda a razão do amor está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente, se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente,
porque a história do amor pode escrever-se assim:

PIERROT
Um sonho de Pierrot...

ARLEQUIM

E um beijo de Arlequim!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

release 2010

Desde 2005 é professor da escola de música Amor à Música (www.amoramusica.com.br), em Botafogo (RJ), ministrando aulas de violão, guitarra, baixo, bandolim, percussão e musicalização infantil.
Por aproximadamente dois anos (2007/2009), foi músico e produtor musical da Feira Ecológica e Cultural da Glória (RJ).
Produtor fonográfico independente, criador do selo Encruza, único no mundo dedicado exclusivamente ao cd demo. Por exemplo :
WWW.myspace.com/baixaria
WWW.myspace.com/encruzilheira
WWW.myspace.com/orfeudesantacecilia
WWW.myspace.com/prosperbass
WWW.myspace.com/encruza
WWW.myspace.com/guilhermelessa
WWW.myspace.com/semalarde
WWW.myspace.com/espacomaodupla
WWW.myspace.com/instrumentalbrasil01
WWW.myspace.com/duoguitarraebandolim
WWW.myspace.com/duodeguitarra
Músico multi instrumentista e compositor, atuante em inúmeros projetos, transitando desde o blues e o rock´n roll, o pop, o samba, o choro e o pagode, até a bossa nova, o jazz e a MPB.
Já se apresentou em lugares como Centro de Referência da Música Carioca (Tijuca), Cotton Club (Copacabana), Bar da Ladeira (Lapa), Recanto da Lapa (Lapa), Heavy Rock Pizzaria (Lapa), Saloon 79 (Botafogo), Lona Cultural João Bosco (Vista Alegre), Teatro Noel Rosa (UERJ), Teatro Afonso Arinos (Petrópolis), Sesc (Nova Friburgo), Expo Music (SP).
O currículo on line está disponível em http://www.amoramusica.com.br/ (clicando em bandolim ou percussão)
Fotos atualizadas estão em http://www.guilhermelessa.carbonmade.com/
Vídeos demo caseiros estão em WWW.youtube.com/encruzilheira



Os trabalhos de poesia, musicologia e crítica de arte estão nos blogs
http://transicaocivilizatoria.blogspot.com/
http://cadenciacarioca.blogspot.com/
http://carrancadelei.blogspot.com/
http://allegaia.blogspot.com/
Por necessidade existencial, vocacional e profissional, transita entre os trabalhos de multi instrumentista, compositor, arranjador, professor, pesquisador, produtor musical e fonográfico, poeta, musicólogo e crítico de arte.
Tem se dedicado aos seguintes instrumentos : violão, guitarra, baixo, bandolim, cavaquinho, violão de sete cordas, viola de dez cordas, teclado e piano, gaita (diatônica e cromática) e percussão (pandeiro, atabaques, cuíca, berimbau etc).

Contatos :
Tel : 21 86344467
Email : Guilherme.lessa@yahoo.com.br
Orkut : glessa2003@yahoo.com.br
WWW.myspace.com/encruza
www.youtube.com/encruzilheira

domingo, 4 de julho de 2010

O Som da Aura

Aspas para o mestre Hermeto Pascoal :
"(...) o som da aura é a vibração sonora da alma de cada um, refletida pela sua fala, que faz a ligação entre mente e corpo. (...) num futuro bem próximo o som da aura será um recurso muito utilizado no cinema e no teatro."
Visitem www.hermetopascoal.com.br

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Gharana

Uma Gharana oferecida aos pés de lótus de Sri Bhagavan Ramakrishna Paramahansa, avatar desta era de kali ...

Gharana Sarasvati

Manifesto :

Trazer o arrebatamento ao estado de consciência de comunhão divina através da experiência da beleza sublime

O silêncio é um dos nomes de Deus manifesto

O canto é eterno,
o cantador apenas o seu servo

A arte é o altar da linguagem

Como na arte sacra budista, oferecer a obra de arte como uma oportunidade de acesso 'a transcendência

segunda-feira, 26 de março de 2007

espelho da alma

"(...) como no pietismo, corrente religiosa alemã do sé. XVII que sublinha a conversão por intensa experiência religiosa individual, a união do coração com cristo e o zelo pelos textos bíblicos".

a velha eugênia

a velha eugênia da bruxaria e de todos os pagãos

que sabe com o paladar
de tudo o que viceja e cura

de tudo o que viceja e mata

a velha eugênia dos trajes austeros
e liturgias ancestres e falares
arcanos e sacerdotais

por uma transição civilizatória

Identificamos na mulher e no homem a possibilidade histórica de elaborar em conjunto um processo de transição civilizatória existente potencialmente em qualquer sociedade, de existência ostensiva nas sociedades em crise. Crise, como nos ensina a sabedoria divina florescida na china, significa simultâneamente perigo e oportunidade.
O perigo é a auto - destruição da vida em grande escala. um desperdício do milagre.
Mas na crise, na encruzilhada, que exu guarde nossos caminhos, saravá sua lei, mojubá o maioral, na crise podemos fazer uso do dever da escolha e oferecer a oportunidade do desenvolvimento do potencial divino na humanidade - " espaço infinito do possível" - em toda a sua plenitude.
transição civilizatória é uma outra presença humana no planeta.
transição civilizatória é a realização da divindade na humanidade.
transição civilizatória é a realização da quadratura do círculo, a transformação do chumbo em ouro, a descoberta da pedra filosofal.
transição civilizatória é realizar o reino dos céus na terra, chegar à terra prometida.
transição civilizatória é atingir a iluminação.
transição civilizatória é que cada um expresse através de sua personalidade (pelo som, pelo verbo, pela palavra,pelas ações, pela vida) a consciência de cristo, a consciência de krishna, a consciência de buda, em plenitude e eternidade.

todos os nomes do Senhor

abd ar - razzaq (séc. XIV)
místico persa, um dos mais famosos sufistas. autor do dicionário dos termos técnicos da mística muçulmana. fez a passagem em 1329.

aben - esra (1092 - 1194)
rabino de origem espanhola. seu nome completo é abraão aben - meir ben - esra. tornou-se famoso pelo seus comentários bíblicos e ensaios de filosofia religiosa. seus livros : o livro do calendário; o astrolábio; o fundamento dos números. é considerado um ds incrementadores da orientação neo platônica do pensamento judaico.

abu béquer (573 - 634)

primeiro califa muçulmano. nasceu em Méca. sogro e sucessor de Maomé. quando maomé fugiu de méca, abu béquer foi seu único companheiro. foi o primeiro a dar forma escrita às doutrinas de maomé.

hallaj (857 - 922)
poeta místico persa. sabia o corão de cor, foi flagelado, decapitado e incinerado. o Divan al hallaj é um dos mais belos livros de poesia árabe, contém textos místicos que foram reunidos por seus discípulos.

ahmad al - dabawi ( séc. XII)
santo muçulmano no egito. ficou por longos tempos no telhado, em silêncio, observando e meditando. é autor de inúmeras orações que se tornaram bastante populares no Egito.


al - farabi (séc. X)

filósofo árabe. popularizou as doutrinas de aristóteles. foi mestre de avicena. obra principal : enciclopédia das ciências. exerceu influência sobre a filosofia árabe e cristã medieval.
seus outros nomes : abu nasr maomé - ben maomé ben tarcã, maalem - tsani.

abu hamid maomé al gazali (1058 - 1111)
teólogo e filósofo árabe. em 1095 demitiu-se de sua cátedra, deixou a família e devotou-se à vida ascética.

sábado, 24 de março de 2007

Althar - alter metal lato sensu


metal sublime, arte sacra ecumênica, com a alma ardendo na forja devocional, para a transmutaçãodo grave, poesia, textos sagrados, mitologias, batuque, erudição, o belo antigo, o belo profético, a filosofia perene, o arquetípico na arte, mantras, harmonias, contrapontos, improvisos, honrar o legado da música brasileira, do jazz e da música erudita, arte politécnica, todas as cordas, todos os tambores, todas as vozes, todas as musas, na linhagem de orfeu, apolo, dionísio, hermes, atenas, ganesha, sarasvati, para o desenvolvimento do idioma musical, diversidade acústica articulada, realizar o som de nossas almas polifônicas, a arte é o altar da linguagem, devotos de exu, shiva e obaluayê.

Althar

Um metal autoral e sublime temperado na forja devocional, A Grande Obra de Arte sagrada com os seres allahdos em ofício, labor e oração à todas as faces terríveis do divino manifesto nesta era de kali, terrível e sagrada, uma era de destruição impregnada de misericórdia, e Aquele que é eterno ostenta mesmo de onde emana sua beleza sem máculas apesar de sua presença em tudo desde os paradoxos e na veste do karma e nos votos austeros mesmo na fúria de sua redenta justiça e apocalipse.

segunda-feira, 12 de março de 2007


“Qual é o elemento grosseiramente omitido em todos os tratados sobre harmonia?”
Desta arguição do poeta e também musicólogo, compositor e músico Ezra Pound iniciamos nossa abordagem holística da harmonia, da música, do mundo e da vida.
A principal ausência dos tratados e palestras sobre harmonia é o axioma que agora retornamos manifesto : a idéia da união de muitas coisas em uma unidade.
Vários outros pronunciamentos estão ausentes de qualquer tratado sobre harmonia musical consultados até agora, como que evidenciando a ausência do mundo e da vida na música e no seu ensino, tal como têm sido concebidos tradicionalmente.
Está ausente o pronunciamento de Adorno sobre a harmonia enquanto “(...) a unidade problemática entre o indivíduo e a sociedade, o interior e o
exterior, o conteúdo e a forma”.
Está ausente o pronunciamento de Clarice Linspector sobre “(...) a harmonia secreta da desarmonia(...)”, assim como o enunciado que diz que a harmonia resulta da analogia dos contrários, axioma da filosofia oculta publicado por Eliphas Levi.
Estão ausentes as palavras de M. Ghyka : “A harmonia resulta da repetição da figura central da obra em suas subdivisões”.
Trago ainda as propostas de conceituação da harmonia nas palavras do músico compositor educador Hans Joachim Koellreutter, constantes em sua Terminologia de uma Nova Estética da Música (impregnada de leituras de Capra e Heisenbeg), conceitos estes que para ele são “(...) indispensáveis (...) para a criação de uma linguagem de sons que corresponda `a visão do mundo revelado pela ciência moderna (...)”, e que para nós são complementares `a nossa tétrade holística (artes, ciências, filosofias, tradições espirituais).
Diz ele dois conceitos de harmonia:
a) concatenação de acordes segundo os princípios da tonalidade; b) disposição regular, coerente e proporcionada entre as partes de um todo.
Ressaltamos a presença em nosso texto e em nossa abordagem dos quatro pilares do conhecimento humano, representados por Adorno (filosofia), Clarice (arte / literatura), Levi e Ghyka (tradições espirituais) e Koellreutter (ciência).
A abordagem holística exige nossa presença no mundo, além das escolas e bibliotecas. As harmonias não são privilégios da música ou da arte. As harmonias estão nas rodas de choro, nas baterias das escolas de samba, nos relacionamentos, na culinária brasileira, nos clusters , na série harmônica, nas feiras livres, nos ecossistemas (onde o homem concede o privilégio de sua ausência predatória), nos ciclos arquetípicos (as fases da lua, as marés, a respiração humana, o ciclo menstrual, as estações do ano etc).
A vida é maior que a arte.
Alle Gaia - Uma Iniciativa de Transição Civilizatória
Alle Gaia é uma iniciativa de transição civilizatória
que assume como vocação derradeira estar no mundo
oferecendo a oportunidade do desenvolvimento do
potencial divino na humanidade - “espaço infinito do possível”- em
toda a sua plenitude. Minha presença no mundo
se realiza portanto como um
agente autônomo, autodidata, itinerante e articulado de uma
transição civilizatória.
O que quero dizer com transição civilizatória (e
quero dizer muitas coisas com esta expressão, como se
perceberá ao longo do texto) é a realização de uma
outra presença humana no planeta e no cosmos.
Esta iniciativa que proponho ostenta a pretensão de
realizar no cotidiano (como medida da plenitude) uma
transição civilizatória (prioritariamente no âmbito
pessoal) suportada por valores de referência (e não
reverência), como:
a criatividade (‘diz Ghiselin que a medida da
criatividade de um produto “está na extensão em que
ele reestrutura nosso universo de compreensão”’);
a espontaneidade (“manifestação elementar da liberdade
humana” - H. Arendt; “Ser espontâneo apenas significa
ser coerente consigo mesmo. (...) Ser espontâneo é, no
sentido amplo que a palavra tem, poder ser livre. Se,
pois, até aqui formulamos que a espontaneidade
corresponde `a possível coerência na pessoa, queremos
agora estender a idéia da espontaneidade como
abrangendo uma forma de autonomia interior e um grau
mais alto de liberdade de ação ante possibilidades de
viver e criar” - Fayga Ostrower);
a autonomia (“Uma sociedade autônoma é aquela cujas
instituições, uma vez interiorizadas pelos indivíduos,
facilitam o mais possível seu acesso `a sua autonomia
individual e sua participação efetiva em todo poder
explícito existente na sociedade” - Cornelius
Castoriadis);
a intuição (“percepação via incosnciente” - Jung); a
polivalência (“campo magnético de possibilidades
relacionais de funções”); o ecumenismo; a
pós-disciplinaridade; a complexidade
(etimologicamente, tecer em conjunto); a diversidade
da vida (que nesta acepção aqui pretendida inclui os
diferentes modos de estar no mundo, e de ser); o
holismo; a introspecção (contra porém a “introspecção
autodebilitante”) e a itinerância, entre tantos outros
valores possíveis e/ou necessários.
O pensamento de Milton Santos traz um argumento que
justifica nossa opção pela prioridade ao âmbito
pessoal :”O processo de tomada de consciência - já o
vimos - não é homogêneo, nem segundo os lugares, nem
segundo as classes sociais ou situações profissionais,
nem quanto aos indivíduos. A velocidade com que cada
pessoa se apropria da verdade contida na história é
diferente, tanto quanto a profundidade e coerência
dessa apropriação. A descoberta individual é, já, um
considerável passo `a frente, ainda que possa parecer
ao seu portador um caminho penoso, `a medida das
resistências circundantes a esse novo modo de pensar.
O passo seguinte é a obtenção de uma visão sistêmica,
isto é, a possibilidade de enxergar as situações e as
causas atuantes como conjuntas e de localizá-los como
um todo, mostrando sua interdependência. A partir daí
a discussão silenciosa consigo mesmo e o debate mais
ou menos público com os demais ganham uma nova clareza
e densidade, permitindo enxergar as relações de causa
e efeito como uma corrente contínua, em que cada
situação se inclui numa rede dinâmica, estruturada, `a
escala do mundo e `a escala dos lugares.
É a partir dessa visão sistêmica que se encontram,
interpenetram e completam as noções de mundo e de
lugar, permitindo entender como cada lugar, mas também
cada coisa, cada pessoa, cada relação dependem do
mundo.
Tais raciocínios autorizam uma visão crítica da
história na qual vivemos, o que inclui uma apreciação
filosófica de nossa própria situação frente `a
comunidade, `a nação, ao planeta, juntamente com uma
nova apreciação de nosso próprio papel como pessoa. É
desse modo que, até mesmo a partir da noção do que é
ser um consumidor, poderemos alcançar a idéia de homem
integral e de cidadão. Essa revalorização radical do
indivíduo contribuirá para a renovação qualitativa da
espécie humana, servindo de alicerce a uma nova
civilização”.
Transição civilizatória priorizando a dimensão
pessoal tem a ver com o pensamento de Guattari, e não
se confunde com mera tomada de poder : “Não acredito
em transformação revolucionária, seja qual for o
regime, se não houver também uma revolução cultural,
uma espécie de mutação entre as pessoas, sem o que
caímos na reprodução da sociedade anterior. É o
conjunto das possibilidades de práticas específicas de
mudança de modo de vida, com seu potencial criador,
que constitui o que chamo de revolução molecular,
condição a meu ver para qualquer transformação social.
E isso não tem nada de utópico, nem de idealista”.
Transição civilizatória tem a ver com o pensamento
do teólogo Leonardo Boff, quando afirmamos juntos,
entre outras coisas, que os fins não justificam os
meios : “O processo de libertação implica ruptura com
situações que barravam o desenvolvimento ou o
permitiam somente dentro de determinado arranjo
social, reprimindo tentativas criadoras de
questionamentos e superações. A libertação, se não
quiser repetir a estrutura da repressão, não poderá
imitá-la no modelo e na tática, mas visar uma
integração das diferenças, respeitando-as sem
homogeneizá-las. Desta forma a conquista paulatina
duma liberdade criadora, mantida sempre como um
processo a ser continuamente feito, e não como uma
meta alcançada, não permitirá que estruturações
sociais e históricas assumam caráter absoluto e
definitivo, mas implicará numa revolução permanente”.
Transição civilizatória tem a ver com a chamada
Nova Era, que significa um movimento holístico de
renovação de valores fundamentais da nossa sociedade,
através de uma mudança de paradigma. Traduz-se por: um
aspecto ecológico, de respeito `a natureza; um retorno
`a simplicidade da existência; uma seleção criteriosa
e consciente dos verdadeiros aspectos positivos do
progresso técnico em relação a estes valores
holísticos; o desenvolvimento interior; o
desenvolvimento de comunidades que apresentem as
condições favoráveis a esta evolução e estimulem-na; a
não-violência; uma economia, educação e medicina
holísticas; uma política holística etc.
O pensamento complexo está presente quando entendemos o ser humano em suas dimensões
bio-psico-social. Aspas para Edgar Morin, distinto
expoente do pensamento complexo, observando nossas
dimensões cósmica, física, terrestre e humana:
Enquanto pessoas cósmicas - “Encontramo-nos no
gigantesco cosmos em expansão, constituído de bilhões
de galáxias e de bilhões e bilhões de estrelas”;
Enquanto pessoas físicas - “Uma porção de
substância física organizou-se de maneira
termodinâmica sobre a Terra; Por meio de imersão
marinha, de banhos químicos, de descargas elétricas,
adquiriu vida”;
Enquanto pessoas terrestres - “Como seres vivos
deste planeta, dependemos vitalmente da biosfera
terrestre”;
Enquanto pessoas humanas - “Somos originários do
cosmos, da natureza, da vida, mas, devido `a própria
humanidade, `a nossa cultura, `a nossa mente, `a nossa
consciência, tornamo-nos estranhos a este cosmos, que
nos parece secretamente íntimo. Nosso pensamento e
nossa consciência fazem-nos conhecer o mundo físico e
distanciam-nos dele. O próprio fato de considerar
racional e cientificamente o universo separa-nos dele.
Desenvolvemo-nos além do mundo físico e vivo. É neste
‘além’ que tem lugar a plenitude da humanidade”.
Não somos seres unidimensionais.
Há muitas outras dimensões humanas conhecidas e
vivenciadas (ao longo deste texto é possível que
compareçam)
pelas tradições espirituais ocidentais e orientais,
pela psicologia transpessoal (resumido portanto
incompleto: ”A psicologia transpessoal se preocupa em
estender o campo da investigação psicológica, a fim de
incluir o estudo do estado ótimo da saúde psíquica e
do bem-estar. Reconhece a potencialidade de fazer a
experiência de um grande número de estados de
consciência, alguns dos quais podendo conduzir a uma
extensão da identidade para além dos limites habituais
do ego e da personalidade” - Waslsh e Vaughan), etc.
A escolha do termo Alle Gaia para nominar nossa
iniciativa de transição civilizatória não é gratuita.
Um texto de poeta raramente comporta termos gratuitos.
Alle Gaia está vinculado ao termo grego oikos, que
influenciou o latim eco, radical das palavras
ecologia, economia e ecumenismo, significando casa,
ambiente, etc. Articula-se com o termo iorubá Ilê, com
significado equivalente, significando nossa casa mas
também nosso bairro, nossa comunidade, o entorno, o
ambiente em que vivemos, nossa região, nosso planeta,
a biosfera (campo vital composto pelo conjunto dos
seres vivos ao redor da esfera terrestre) e assim por
diante. Esta observação já foi feita por Leonardo Boff
e também por Guattari, alertando para a necessária e
inadiável articluação dessas várias dimensões, quando
diz: “E, no entanto, é exatamente na articulação: da
subjetividade em estado nascente, do socius em estado
mutante, do meio ambiente no ponto em que pode ser
reinventado, que estará em jogo a saída das crises
maiores de nossa época”. (grifo meu)
Esta concepção advinda dos termos oikos e ilê
fundamenta minha opção por uma vida profissional itinerante,
nômade.Trata-se da ampliação do território da clínica,
e inclusive por isso, mas não só por isso, clinicar e
educar significa também articular, realizar parcerias,
atravessar fronteiras (quem as ergueu?), fazer
política enfim.
Trata-se também de realizar a transição do paradigma
disciplinar para outros paradigmas não -
disciplinares, tal como o paradigma da complexidade
(Edgar Morin), o paradigma da física subatômica tal
como operada por Fritjof Capra e seus interlocutores,
o paradigma da psicanálise Novamente entre outros.
Um viés epistemológico assumido não exclusivamente
para operar a transição do paradigma disciplinar para
outros paradigmas não - disciplinares são os Estudos
Culturais (Cultural Studies), caracterizados por sua
diversidade metodológica, por seu compromisso em
interagir diretamente com as práticas políticas,
sociais e culturais em que estão inseridos e também
por recusarem a estúpida pretensão do monopólio
disciplinar sobre o conhecimento.
Outro viés epistemológico assumido não
exclusivamente para realizar transições
paradigmáticas é a bioética, que pelas palavras de
Fátima Oliveira, além de ser uma disciplina em
crescente institucionalização, além de ser um campo
epistemológico e não se confundir com a deontologia
e/ou com a ética médica, a bioética em sua conveniente
polissemia também pode significar :
“ A bioética é um campo de luta que aglutina
diferentes movimentos sociais e personalidades
democráticas. Suas origens são de fato os caminhos que
buscam garantir a cidadania em espaços e em momentos
nos quais as pessoas se encontram em geral vulneráveis
: na busca da saúde ou diante da ciência” .
Ainda polissêmica e não exclusivamente optamos
pela etnomatemática, a partir de Ubiratan D’Ambrosio,
professor titular de matemática da Unicamp :
“ Assim, poderíamos dizer que etnomatemática é a
arte ou técnica de explicar, de conhecer, de entender
nos diversos contextos culturais. Nessa concepção, nos
aproximamos de uma teoria do conhecimento ou, como é
modernamente chamada, uma teoria de cognição” .
“ Sintetizando, poderíamos dizer que etnomatemática
é um programa que visa explicar os processos de
geração, organização e transmissão do conhecimento em
diversos sistemas culturais e as forças interativas
que agem nos e entre os três processos. Portanto, o
enfoque é fundamentalmente holístico” .
A etnomatemática nos autoriza a declarar alguns
princípos de transição paradigmática :
A poesia é tão precisa quanto a matemática;
Discernir quando é necessária e/ou imprescindível a
exatidão matemática;
Precisão não significa necessariamente exatidão
matemática :
“A grande maestria dos arquitetos gregos consistia
na habilidade para criar a aparência de simetria
perfeita.Conseguiram-no em parte pela eliminação das
ilusões óticas a que todos os edifícios estão
sujeitos, aplicando uma técnica denominada
êntase.Vistas de uma determinada distância, todas as
linhas retas, verticais ou horizontais parecem
ligeiramente côncavas no meio.Para contrariar este
efeito , os arquitetos gregos faziam as linhas dos
edifícios convexas precisamente nesses pontos. Do
mesmo modo as distâncias entre colunas pareciam
variar, quando de fato eram matematicamente exatas.Os
arquitetos gregos, para corrigir esta ilusão, faziam
variar o espaçamento entre as colunas”.
Escolho epistemológico para designar discursos que
(re)criam saberes. O vocábulo grego “episteme” é
traduzido aqui por saberes (e não ciência) enquanto
“logos” é interpretado como discursos (e não razão ou
estudo).